#1 Como montar uma Ong/Negócio Social: Quem Somos e o que queremos

Apenas algumas sugestões e direcionamentos 😉

Com a sua equipe, escolha um ambiente bastante agradável e inspirador e prepare o encontro de modo a chegarem a um consenso sobre alguns pontos importantes (eu recomendo a presença de um facilitador externo ou pelo menos alguém do grupo com a função de levantar as questões e garantir que elas sejam registradas):

Equipe

Gosto muito de começar este encontro com uma apresentação individual de cada presente, indo além do convencional. Como pilar do desenvolvimento de qualquer organização, seja ela com ou fins lucrativos, com interesse social ou apenas acumulação de lucro, é fundamental a compreensão sobre as pessoas que fazem e idealizam diariamente o empreendimento. Assim, é de extrema importância entender não só a origem e interesses de cada um dos fundadores, bem como seus atuais estados de espírito e expectativas para a continuidade do trabalho em conjunto. Para isso, cada integrante deve ter a oportunidade de contar sua história de vida – de acordo com recorte escolhido – e a conexão entre história pessoal e a iniciativa de impacto social.

Para isso, devem ser feitas perguntas que estimulem o empreendedor a contar sua história de vida como um todo, e não somente o que for relevante para a iniciativa social. Onde nasceu, como foi criado, onde e se teve a oportunidade de estudar, últimos trabalhos, hobbies e etc. Deve-se solicitar que termine a fala dizendo qual é o papel desempenhado pela pessoa dentro da iniciativa, para que se possa ter uma ideia do atual organograma.

É importante estimular os participantes a realmente contarem suas histórias de vida, não se atendo apenas a formação acadêmica e/ou experiência profissional. Este pode ser o primeiro – ou um dos poucos momentos – em que todos terão a oportunidade de contar suas experiências e ouvir o que cada um do grupo pode agregar à organização.

Nome da Organização

Se a organização já tem um nome consolidado, moleza. Se não, esta é uma hora fundamental de colocar todos os fundadores na mesma página para criar um nome que, por um lado represente o que a organização de fato faz, mas que também tenha algum apelo de comunicação e seja fácil de ser lembrado. Ou pelo menos pronunciado.

O que a organização faz

Por mais ampla que esta pergunta seja, o objetivo dela é chegar a uma descrição de até um parágrafo sobre quem é essa organização. A tarefa é relativamente simples e super complicada: resumir em um parágrafo, para o público em geral, quem é essa organização. O processo de entender uma organização começa por compreender como ela mesma se enxerga e como expressa publicamente seu trabalho. Um exercício importante é adequar discurso e prática, pois não adianta ter um forte e o outro deficitário. A apresentação e a escolha do que comunicar e do que omitir está diretamente relacionada com a percepção de valor que cada palavra agrega, tanto para o apresentador quanto para o ouvinte. Assim, a primeira apresentação da iniciativa representa algo bastante significativo.

O exercício proposto é pedir a uma pessoa da iniciativa para que faça uma apresentação de até 10 minutos “para um possível investidor”, ressaltando o que acha mais relevante e importante na organização. Ao final, outros participantes podem acrescentar aquilo que acharem extremamente necessário e sentiram falta.

A partir da transcrição da apresentação feita, é importante que todos façam comentários sobre a apresentação. Deve-se prestar bastante atenção aos detalhes, como os diversos destaques dados a assuntos mais ou menos relevantes durante a apresentação, tais como: tempo de atuação, localização geográfica, diferenciais de produtos e/ou estratégia, potencial de crescimento, parcerias, viabilidade financeira, proposta de valor, o que faz, como faz e por quê faz. Nesse momento, cada palavra importa e deve ser observada e discutida com atenção pelo grupo.

Por que a Organização faz o que ela faz? (Justificativa)            

Este ponto é importante porque situa o contexto no qual a organização pretende intervir. Não confunda com os objetivos, aqui o fundamental é delimitar claramente qual o problema ou oportunidade com que a organização pretende atuar. Podem ser usados dados estatísticos que descrevam uma carência regional, as necessidades específicas de um nicho da população ou mesmo uma percepção coletiva de alguma situação que poderia ser melhor na visão do grupo. É importante não se limitar apenas a uma visão voltada a problemas e escassez, mas também entender que as vezes o contexto mostra oportunidades com potencial de desenvolvimento que ainda não foram exploradas e a Organização se vê capaz de impulsioná-las.

Como exemplo, baseado numa metodologia de desenvolvimento chamada Asset Based  Approach, gosto de fazer a seguinte reflexão:

Se observarmos uma favela em busca de 10 problemas ou necessidades, temos certeza  que encontraremos. Veremos que a iluminação é deficiente, não há saneamento básico  para todos, as ruas não estão pavimentadas, há pessoas na rua “sem fazer nada” e etc.  Porém, se chegássemos a mesma favela com um olhar de abundância, observando 10 potencialidades ou oportunidades, também as encontraríamos. A rua não pavimentada  abre espaço para o cultivo de agricultura de subsistência ou uma discussão sobre a construção desta rua em uma proporção relevante para o uso daquela região; pessoas na rua demonstram um ambiente com segurança de ocupar o espaço público e nos informam sobre a disponibilidade de capital humano para desenvolvimento de iniciativas locais, como mutirões e estímulo ao empreendedorismo.

O que a Organização quer com sua atuação? (Objetivos)

Definir os objetivos de uma organização social nascendo não é uma tarefa tão simples,  mas é importantíssima. Tendo em vista que a justificativa e o contexto estão claros, é hora de definir com certa clareza o que a organização pretende alcançar com seu trabalho, como enxerga mais ou menos as mudanças que é capaz de proporcionar e o que almeja coletivamente alcançar. A dica mais famosa para construir objetivos vem da sigla em inglês SMART:

S – Específicos (Specific): os objetivos formulados devem ser precisos e específicos, oferecendo bastante clareza do que se está falando;

M – Mensuráveis (Measurable): deve se conseguir medir, observar e verificar se o objetivo foi alcançado e em qual grau

A – Atingíveis (Attainable): Como eles devem ser específicos e mensuráveis, é importante garantir que sejam traçados objetivos possivelmente realizáveis e potencialmente alcançáveis

R – Realistas (Realistic): devem também ser realistas em relação às possibilidades de serem alcançados, tanto por variáveis da organização como do contexto

T – Temporizáveis (Time-bound): os objetivos devem ser definidos com tempo de duração para que se possa avaliar se foram ou não alcançados

Este é apenas um direcionamento. O importante é criar frases que além de cumprirem o quesito “soar bem”, sejam de fato interesse coletivo e potencialmente alcançáveis de acordo com o o que o grupo se propõe. Uma sugestão é deixar a lista crescer bastante, não se importando com o grande número de objetivos propostos. Após uma listagem prolongada, vale fazer o exercício de agrupamento e encontrar objetivos que falam do mesmo assunto e poderiam ser agrupados em uma redação única e mais abrangente.

Para a primeira fase desse processo acredito que vale mais a pena sair com clareza destes três pontos fundamentais do que se estender e perder qualidade. Assim, é importante consolidar essas informações em um documento para que possa ser revisitado no próximo encontro (e muitas outras vezes ao longo da trajetória)

Este post obviamente continua…. 🙂

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