Sobre ser social…

Muitas vezes as pessoas me procuram em busca de uma idéia ou um jeito interessante para que se conectem com o “social”. São jovens administradores, arquitetos, engenheiros, jornalistas e por ai vai, que não conseguem necessariamente enxergar o propósito daquilo que fazem todos os dias para uma ou outra empresa. Estão em busca de algum sentido, uma maneira que lhes de orgulho de aplicar àquilo tudo que acumularam de experiência até agora.

Mas parece sempre haver uma complicação. Aparentemente, o “social” e o “normal” não podem andar de mãos dadas sem que algum julgamento, vindo de qualquer parte, os faça retroceder o pensamento para a escolha entre a estabilidade de um trabalho burocrático e a ousadia de um ofício que seja um pouco mais do que preencher planilhas. As coisas estão muito claras, é apenas uma escolha de qual lado da força você quer estar.

Pois acredito que aos poucos, vamos sendo cada vez mais capazes de falar em voz alta como nos sentimos, em relação ao trabalho e ao nosso entorno. Vamos ficando mais seguros para desafiar a ordem pré-estabelecida, sem necessariamente sermos rebeldes ou mal vistos pela tal sociedade. Somos espertos a ponto de cunharmos novos termos, como empreendedorismo social, negócios sociais, investimento de impacto e assim vai. É uma alternativa que encontramos para tentar requalificar o que todos nós estamos fazendo, mas que nem todos nós estamos nos satisfazendo. Mas por que reinventar a roda, se podemos apenas assumir que ainda sim é possível direcionar nossas habilidades, aquilo que fazemos bem, para fazer o bem.

Faço então uma recomendação de leitura, que de social não tem nada próximo ao estereótipo convencional. “An Ordinary Man”, de Paul Rusesabagina, traz o relato do gerente do famoso Hotel Milles Colines, o pano de fundo do filme Hotel Ruanda.

Dois fatores são destacados no livro e merecem a devida atenção. Primeiro, o autor enfatiza a causa principal do genocídio: “o mundo inteiro ao meu redor ficou louco. E o que causou tudo isso? Muito simples: Palavras”. Palavras estas que também contribuem para entender o segundo destaque do autor, no caso, em relação ao que contribuiu para que ele sobrevivesse – e protegesse 1268 pessoas em seu hotel: “Não sou nada mais do que um gerente de hotel, treinado para negociar contratos e encarregado de fornecer abrigo àqueles que solicitam. Meu trabalho em nada mudou durante o genocídio”.

O ponto que mais me encantou no relato é a constante fuga do heroísmo e a simplificação de suas atitudes como apenas “parte de seu trabalho” e “fazendo o que qualquer um faria para manter-se são”. É uma aula sobre a importância de fazer o bem, independentemente da sua área de atuação. É também uma forma de enxergar oportunidade naquilo que já fazemos, modificando o como fazemos e o porquê fazemos cada escolha. Mas importante de tudo: uma demonstração de que o “social” e o “normal” estão hoje dissociados devido às desculpas e obstáculos que nós mesmos nos colocamos, e nada mais.

Obs: se quiser ler a resenha completa do livro, ela está em:

 http://www.mochilasocial.com/1/post/2011/10/um-homem-qualquer-e-uma-reflexo-sobre-negocios-sociais.html

Obs: este texto foi publicado na Revista Shalom de Junho.

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