Books@Café – Café de gente diferenciada na Jordânia

Vista da livraria e café no Books@Café, na Jordânia

“Não sou de lugar nenhum, sou um pouco de cada lugar”. Foi assim que ele começou sua história. Nascido no Kuwait e expulso do país por ser de origem palestina, buscou refúgio na Jordânia, aonde estabeleceu uma relação de ódio e amor ao longo das 83 vezes em que foi preso no país. Não, não é um número fictício, é o número de vezes que implicaram com Madian al Jazerah ou por ser palestino, ou por ser do Kuwait ou por vir do Oriente Médio, ou por suas posições políticas ou por ser homossexual.

Conversei com ele na Academia Real de Cinema, do outro lado da rua em que fica o café que o deixou internacionalmente famoso e nacionalmente, digamos, ameaçado. Books@Cafe é o nome do estabelecimento que Madian criou para receber todo e qualquer tipo de pessoa em sua livraria/café. O lugar também é conhecido como o primeiro Café para gays do Oriente Médio. Hoje, o espaço é freqüentado por turistas e uma certa elite jordaniana, mas é aberto a toda e qualquer pessoa interessada no ambiente descontraído e elegante do estabelecimento.

“Eu não vou discriminar”, ele afirma. Na Books@Cafe, já trabalhou até um estudante israelense que na época gerou tanta controvérsia que até o Thomas Friedmann se envolveu com a história (não que precise de muito para isso). O lugar é um espetáculo, localizado na Rainbow Road, uma rua meio chique meio descolada de restaurantes e bares na capital Amman. Segundo Madian, ele teve que ser muito bem sucedido em tudo o que fez para sobreviver.

Depois de abandonar um curso em Harvard, nos Estados Unidos, por não agüentar algumas pressões vindas de diversos movimentos por lá, voltou à Jordânia onde se posicionou pelos direitos dos homossexuais, participando da criação e organização da Conferência GLBT Oriente Médio/Norte Africano. Trabalha com um grupo de simpatizantes da região pela garantia da segurança de todo tipo de homossexual e na construção de um vocabulário mais preciso em árabe, contribuindo também para a redução da censura, pelo menos na Jordânia.

Uma das conversas mais intensas que já tive. Daquelas pessoas que quando falam prendem sua atenção e há algo na voz mais complexo do que as simples palavras podem expressar. Não sei se o ouvi por alguns minutos ou poucas horas, mas sai da conversa para um café com alguns israelenses, americanos e jordanianos na crença que talvez um mundo melhor seja possível. Se ao menos as pessoas tivessem a oportunidade de sentar, tomar um café e conversar, quem sabe não conseguiríamos resolver pouco a pouco nossas tantas questões.

 

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