Jantar em nome da liberdade

Mais de 400 pessoas se reuniram na quinta-feira passada próximos à estação central de ônibus de Tel Aviv para um jantar diferente. Motivados pela proximidade do feriado de Pesach, Ong’s e ativistas ligados à questão dos refugiados africanos em Israel organizaram um jantar para chamar a atenção e fomentar a discussão em relação ao tema. O local não foi escolhido à toa, pois nas proximidades desta praça é que vive grande parte dos refugiados, no bairro considerado como pobre para os padrões da cidade.

O Pesach celebra a saída dos judeus do Egito, sob regime de um faraó que os mantinha como escravos. É a história em que conta-se que o mar se abriu, pragas invadiram as casas egípcias e um monte de outros acontecimentos fantásticos e místicos facilitaram a mobilidade de um povo todo em direção à segurança de uma nova terra. Na mesa deste jantar, nada mais que um apelo às ações humanas.

Entre discursos ecumênicos, depoimentos de refugiados e uma série de atividades cujo objetivo propunha a integração e troca de experiências entre os presentes, celebramos todos juntos a liberdade do passado e do futuro. A situação do presente, descrita como longe da ideal, serve de espaço para a discussão e consequente construção coletiva de melhores formas de se agir.

Estimam-se em 27.000 refugiados africanos em Israel. Vindos principalmente de países envolvidos em conflitos internos como o Sudão, Eritréia, Congo e Costa do Marfim, estes refugiados chegam na maioria das vezes ilegalmente – muitas vezes traficados – através do Egito e enfrentam uma série de políticas não exatamente claras por parte do Estado de Israel. Ao mesmo tempo, uma infinidade de iniciativas e organizações esforçam-se diariamente para adequar as ações do Estado às necessidades destes novos imigrantes e garantir que a questão seja amplamente discutida pela sociedade israelense.

Organizações como African Refugee Development Centre (ARDC) e Bnai Darfur trabalham desde o atendimento mais básico aos refugiados até a mobilização por políticas mais complexas que auxiliem a inserção destas pessoas à sociedade. O projeto Hagar and Miriam começou atuando junto a mulheres grávidas ou que tivessem dado à luz recentemente, mas pouco tempo depois expandiu seus esforços para orientação sexual, prevenção de doenças e empoderamento destas mulheres como microempreendedoras. Da universidade de Tel Aviv, jovens universitários lançaram recentemente o primeiro jornal voltado totalmente à questão, The Refugee Voice, com foco na produção de informação relevante aos refugiados e imigrantes.

É claro que a solução destas e de tantas outras questões relacionadas aos refugiados em um país dinâmico e complexo como Israel exige um esforço coletivo e, nesse caso, cooperativo também com outros países. Mas por hoje, a justificativa do jantar de Pesach ser chamado de Seder, que do hebraico significa “ordem”, pode indicar alguma coisa. Quem sabe este não é o início, ou pelo menos uma boa tentativa, de colocar ordem nessa casa. Aos poucos.

Ainda assim a iniciativa gerou certa desconfiança por parte dos refugiados insatisfeitos com a situação atual
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