Por que eles querem que eu fique? (“1”)

Primeira tentativa de ir embora: negada!

É hora de fazer a mala. Meu mochilão passou grande parte dessa viagem intocado. Algumas camisetas e cuecas se revezaram com meu único shorts verde, que hoje carrega um simpático furo em sua apresentação. A mais pesada nas costas, a tecnológica posicionada na barriga e nas mãos uma estúpida sacola com mais de 15 livros que não consigo me desvencilhar. Saio do apartamento em que estava vivendo em Mumbai de madrugada, exatamente às 1:20h, com destino a Israel.

O primeiro rickshaw me leva até 1 terço do caminho para o aeroporto, e por alguma razão em híndi, decide que eu devo trocar de motorista e seguir viagem. Economizei importantes rúpias nessa brincadeira e resolvi dar uma bela caixinha de Holi para o segundo TucTuc. Afinal, minhas últimas rúpias não tinham melhor destino naquele momento.

Nos aeroportos indianos, você só entra se tiver uma passagem impressa em seu nome (questões de segurança nacional), e claro, eu não tinha imprimido a minha. Assim, o rapaz da casa de câmbio se tornou meu salvador: dei a ele meu e-mail e senha, e muitas instruções sobre como traduzir “imprimir” para o híndi. No fim, de graça, consegui minha passagem e meu acesso de entrada ao aeroporto. Mas tive que suar para conseguir ficar com o papel que continha meus dados de acesso (acho que ele tinha grandes planos para o meu e-mail) Com a papelada em mãos, consegui chegar até o balcão da minha companhia aérea e despachar minhas malas.

Aprendi que a chance de dar algo errado por aqui é grande, imensa, então não costumo mais “perder tempo” fazendo hora. Fui direto para a fila com o objetivo de cruzar a imigração. E foi ai que começaram meus problemas…

Ao abrir meu passaporte, o senhor de turbante azul – que eu mesmo selecionei visualmente na fila pela minha admiração pelos Sikhs – me pediu para apresentar minha documentação de estrangeiro residente na Índia. É claro que eu não tinha esse documento. Por erro de orientação do meu Programa, nenhum dos fellows se registrou junto à imigração local em Hyderabad.

Fui levado para a salinha do choro. Explico: sem conversa ou possibilidade de argumentação, em menos de 2 minutos meu passaporte estava carimbado com uma negação de saída e minha passagem aérea riscada, rabiscada e, obviamente, cancelada. Quando me dei conta, já era tarde demais. Se tem uma coisa que não existe na Índia é a idéia de voltar atrás. Ordem dada é ordem cumprida, e mantida. Mesmo que equivocada.

Comecei a questionar a todos na sala sobre o que deveria fazer, na ingenuidade de que meus problemas ainda poderiam ser resolvidos do aeroporto e poderia embarcar em meu vôo, que agora estava apenas uma hora e meia distante no tempo de mim. Doce ilusão, fui avisado que o procedimento era ir até a FRRO (registro de estrangeiros) que estava inscrito em meu passaporte. Ou seja, em Hyderabad, distante de 15 horas de trem da onde estava.

Escoltado até a porta, recebi meu mochilão e fui chutado para dentro da Índia de volta. Obrigado a permanecer neste país do qual não tenho pressa alguma em sair. Um dos poucos lugares do mundo em que problemas no seu visto fazem você permanecer no país, ao invés de ser enxotado para casa. Pois bem, voltei ao apartamento em Mumbai, escrevi e-mails e solicitações de ajuda e aconselhamento nessa hora. Por enquanto, meu destino é um só: de volta a Hyderabad, minha antiga e querida cidade indiana, num trem de 15 horas para o início da batalha entre eu e a burocracia indiana. De qualquer jeito, meu próximo vôo só sai em uma semana, e tenho esse tempo para entender por quê eles querem que eu fique.

 

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Um pensamento em “Por que eles querem que eu fique? (“1”)”

  1. Eu posso escrever um post com mil motivos pra vc vir pra ca!
    Nunca vi isso de nao deixarem turista sair d pais , soh d nao deixarem entrar hahaha , mas td bem fisbis , td tem um motivo….
    qquer coisa grita e te espero dia 29!

    Gostar

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