Começo de despedida

Escrevo neste momento dividido entre sentimentos. Este é meu último final de semana na Índia e me preparo agora pra passar esses últimos dois dias em uma vila meio remota por aqui. (Achei que ia ser um jeito interessante de dar tchau para tudo isso). Aos que não sabem, eu fiquei por aqui um mês a mais do que o planejado, mas alguns meses a menos do desejado. Como tenho uma scholarship, é hora de dar início à segunda fase disso tudo, em Israel.

Nesses últimos meses por aqui posso garantir que tive experiências bastante intensas e desafiadoras em sentidos amplos, opostos e provocativos. Vim pra cá com uma quantidade considerável de objetivos e propostas na cabeça, mas o país aos poucos foi me mostrando como eu era ingênuo e não tinha ideia da proporção das coisas.

Estou organizando aos poucos as experiências e os comentários que gostaria de fazer sobre a Índia, não só das minhas viagens e impressões pessoais, mas também algumas coisas que mexeram comigo e representam temas mais amplos como religião, gênero, infra estrutura e desenvolvimento social. Acho que é fácil dividir a minha viagem sob dois olhares: (1) no quesito pessoal, em como me diverti, o quão rico de momentos divertidos, engraçados e malucos essa história toda de Índia me trouxe; e (2) num sentido profissional e de observação, o quanto este país me provoca, quanta coisa eu não entendo – e não vou entender – e como saio daqui de certa forma triste com o encaminhamento das questões sociais que assolam este país.

Nos últimos dias estive em Mumbai para visitar e pesquisar um pouco da desigualdade social estampada nessa cidade. Fui de trem de Dharavi – a maior favela da Ásia com aproximadamente 1 milhão de habitantes – à casa mais cara do mundo (U$ 1 bilhão de dólares, do dono da Relliance) em apenas 15 minutos. Mas tenho certeza que a distância entre estes dois mundos desiguais é muito maior Tudo isso para coletar material, bagagem e perguntas. Muitas perguntas.

Com o tempo, vou organizando o aprendizado, as vivências e, por que não, minhas críticas sobre tudo que vi, ouvi e senti por aqui. Por hora, compartilho dois vídeos não editados sobre esses dias em Mumbai. Ambos mexem com nossos sentimentos e nos intrigam a responder uma simples pergunta: como alguém pode morar nessas condições? E mais, olhando os dois vídeos, o que é Pobreza?

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