Ideias roubadas, mas boas ideias

Primeiro foi um dos criadores do Facebook – site cuja minha admiração é sem tamanho. Depois dois desconhecidos do outro lado do mundo e por último o escritor e jornalista David Bornstein, autor de um dos livros mais interessantes que já li, intitulado “Como mudar o mundo”. Esses são só três personagens principais do constante furto de ideias que venho sendo vítima nos últimos tempos.

Há mais de 2 anos venho pensando em criar um portal virtual em que seja possível colocar em contato peças fundamentais para um trabalho social. Pessoas, Ong’s, investidores, empresas, empreendedores, voluntários, estudantes e etc interessados em resolver problemas sociais. O primeiro formato que pensei – na época junto a um grupo de amigos e educadores – era uma espécie de Facebook que colocaria esses parceiros em contato, através de perfis completos, relações entre cada parceiro e proporcionaria uma melhor gestao dos recursos – financeiros, materiais e humanos – direcionando quem tem algo a oferecer a quem tem algo a receber. O nome do projeto era Socyad. Avançamos bastante, fizemos muita pesquisa e até começamos a desenvolver a estrutura básica do site com uma empresa de T.I. Dois anos depois, da Índia, quando retomo as rédeas do projeto e decido que a hora é essa, surge o Jumo. Apesar de eu achar a ferramenta extremamente falha e sem opções, está lançada a versão do Facebook Social. Detalhe: minha ideia era usar as ferramentas de uma rede social para atender uma demanda de iniciativas sociais (exatamente o que Chris Hughes afirmou em uma entrevista no lançamento do Jumo no fim do ano passado)

Depois de trabalhar por algum tempo na Ong Um Teto Para Meu País, fiquei pensando por um longo período que não podia ser possível que fôssemos capazes de conviver em um mundo de extremos tão distintos. As palavras de Gilberto Gil, “De um lado esse carnaval, de outro a fome total”, expressam só uma parcela do meu sentimento. Como desenvolver uma moradia eficiente e barata, integrada ao sistema de saneamento básico, energia e etc com os conhecimentos que já temos?

Duas semanas depois de começar minha pesquisa em arquitetura e outras estratégias de urbanismo ao redor do mundo que pudessem solucionar o problema de moradia definitivamente, dou de cara com o projeto chamado The 300$ House. Desde então faço parte do projeto como colaborador das discussões por e-mail com fotos e pensamentos sobre moradias precárias e pobreza. Detalhe: minha ideia era que poderíamos fazer melhor do que o que estamos fazendo como sociedade (exatamente o que Christian Sarkar – fundador do projeto www.300house.com – disse a mim em uma entrevista no começo desse ano).

Não satisfeito com essa busca toda por soluções sociais decidi que o que é de fato importante é encontrar as soluções que já foram desenvolvidas, ou as tecnologias que já temos e encontrar a melhor forma de direcioná-las para cada nova realidade. É claro que pesquisando o setor encontrei diversas iniciativas tentando fazer exatamente a mesma coisa: encontrar projetos e negócios que estejam de alguma forma fazendo a diferença no mundo. Sem falar dos óbvios como a Ashoka, comecei a descobir alguns bem interessantes, normalmente conectados com as redes de pessoas que estou fazendo por aqui. Do Acumen Fund (presente no Social Mashup), encontrei o interessantíssimo Search for the Obvious que, apesar de na minha opinião ainda caminhar meio sem propósito, procura destacar grandes descobertas, produtos e iniciativas desenvolvidas no mundo e encontra alguma relação com o social.

Resolvi então voltar as origens do meu interesse pelo setor e pesquisei o que David Bornstein, autor do livro Como mudar o Mundo – e que de certo mudou o meu jeito de enxergar muita coisa – estaria fazendo agora. Pois é, não é que ele tinha acabado de lançar uma nova iniciativa, chamada Dowser, cujo principal propósito é destacar quem está resolvendo o quê e como.  Detalhe: minha ideia inicial partia do princípio que não precisamos redescobrir a roda a cada minuto, mas podemos redirecionar grandes descobertas para um fim voltado a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Queria encontrar soluções básicas para problemas complexos (pois falamos muito em problemas e não nos damos ao trabalho de buscar variadas soluções). Isso é basicamente o que esta escrito na sessão about do Dowser.

Agora é desenvolver novas ideias e esperar. Ou então mudar a estratégia e ir a fundo.


Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s