Meu primeiro filme de Tolywood

Eram sete da manhã e Rameesh já estava me ligando. Afinal, combinamos que eu estaria na sorveteria perto de casa lá pelas sete e meia, mas ele fica muito ansioso quando lida com estrangeiros. Na semana anterior apresentei a ele o ouro: sete estrangeiros vivendo e trabalhando na Índia.

Explico: Rameesh é uma espécie de produtor misturado com agente de filmes de Tolywood, uma versão local dos famosos estúdios indianos de Bolywood, mas em Telugu, a língua do estado de Andhra Pradesh. Seu trabalho é encontrar e agenciar estrangeiros para atuarem como figurantes ou papéis secundários nos filmes. E como acredito no poder da experiência, resolvi fazer parte de um filme de Tolywood.

A van na porta de casa nos espera com o motor ligado e, com a equipe completa, saímos em direção aos estúdios. Sem informações adicionais, a viagem de 30 minutos nos leva a um bairro afastado da cidade onde pelo menos 400 pessoas nos esperam para as filmagens. O cenário exagerado, de tom amarelo e laranja, traz a figura de um guru de mais de 5 metros de altura no que mais tarde seria um palco.

De calça branca, bata laranja e colar de madeira no pescoço, comecei a me sentir um pouco estranho em relação a tudo o que estava acontecendo, mas não conseguia parar de pensar em quão aflitiva e divertida aquela situação parecia ao mesmo tempo. Ignorando o conceito do ridículo, nos posicionamos perto de Swami G, o guru herói/vilão que estava prestes a proclamar um dos discursos mais incompreensíveis que já ouvi. Meu papel era de certa importância: devia figurar lado a lado do guru com meu charme ocidental. E só.

 

O principal: Swami G

Ninguém parecia muito preocupado com detalhes da filmagem, e muitas vezes me perguntei se o diretor e os produtores estavam fazendo de fato um filme. As cenas desconexas giravam em torno do discurso final do personagem principal. E pelo que deu pra entender, não era nada bom o que ele tinha a dizer. No fim, fomos convidados para posar para uma infinidade de fotos com os produtores, diretores, câmeras e até outros figurantes. É o país da celebridade instantânea (ocidental).

Não posso negar que por vários momentos me senti muito constrangido. Apenas da maioria dos filmes deste estilo serem comedias escrachadas, na hora do “vamos ver” você é apenas um rapaz vestido de maneira esquisita, posando para um monte de gente que não tira o olho de você nem por um segundo. Mas valeram as risadas, as conversas com o pessoal que leva isso tudo tão a sério e a superação dos tantos “rabos presos” que a gente se coloca a cada dia.

E tudo pela experiência.

 

 

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