Filho da Guerra – Emmanuel Jal

Escrevi um breve comentário sobre o livro que me acompanhou na minha longa viagem até aqui. Apesar de todo o enredo se passar na Africa, durante a Segunda Guerra Civil do Sudão, achei que valeria a pena compartilhar a leitura e divulgar esta história.

O autor Emmanuel Jal foi um menino soldado da ELPS durante o conflito étnico que se iniciou nos anos 80, e atualmente difunde sua história, música e causa por meio de uma série de iniciativas. Aos que não se aventurarem a ler nem a resenha nem o livro, recomendo fortemente o vídeo acima, além da visita pelos websites de Emmanuel Jal e uma de suas iniciativas, a GUA – Africa. O livro Filho da Guerra de fato me emocionou.

Seguem meus comentários:

Filho da Guerra – War Child

Emmanuel Jal

O livro publicado pela Editora Rocco traz o subtítulo “A história de um menino soldado”. Porém, o leitor vai descobrindo que a palavras de Emmanuel Jal são muito mais duras e complexas do que qualquer denominação pode cobrir.

Filho da Guerra é a autobiografia de um dos mais de dez mil Garotos Perdidos do Sudão, que foram utilizados como soldados na guerra civil pela qual o país passou a partir dos anos 80. E ao leitor que acreditar que a história deve ser um pouco mais branda, tendo em vista que seu autor aqui está para descrever os fatos, recomendo fortemente a leitura.

Assim, podem-se descobrir quantas outras histórias deveriam ter sido contadas, mas seus protagonistas não tiveram a mesma combinação de eventos que fez o destino de Jal tão diferente, em um momento de pouquíssimas oportunidades. A leitura não pode ser considerada prazerosa, mas sim intrigante, e deve ser encarada como uma tentativa de abstrair o que não se pode imaginar.

Da destruição completa de uma aldeia, entre tantas outras também destruídas, Jal segue contando sua trajetória de guerra. Primeiro como vingança pela destruição de tudo o que considerava bom, e em seguida, alimentado por uma educação voltada ao ódio e a morte, como única solução para o conflito com os árabes.

Com menos de 6 anos, carregando uma AK-47 maior que sua estatura, o menino soldado foi treinado pelo Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA/M – Suam People’s Liberation Army/Movement) e colocado para atuar em diferentes missões na considerada Segunda Guerra Civil do Sudão. A descrição de cada momento, cada sentimento e cada história serve não só para um excelente panorama do que se passa em um conflito étnico e manchado de petróleo na África, como também estimula a reflexão sobre a ajuda humanitária internacional e sua característica superficial.

Mesmo tendo sido vítima de diversos momentos traumáticos, Emmanuel Jal conseguiu ser extraído de sua realidade e consequentemente salvo por uma jovem ativista inglesa, chamada Emma McCune, a quem ele até hoje responsabiliza sua salvação.

A leitura é dinâmica e espera-se um leitor incrédulo de tudo o que lê. Uma oportunidade de se aprofundar em um conflito que se estende até o século XXI, e mistura nossos sentimentos em relação ao que vem acontecendo bem debaixo de nosso consentimento.

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