Definição de Pobreza – Muhammad Yunus e Grameen

Uma definição de pobreza que leva em consideração apenas a renda, como a famosa linha de U$1,00 por dia, com certeza carece de um aprofundamento se a proposta é, de alguma maneira, contribuir com a solução do problema. Afinal, um ser multidimensional como o ser humano precisa de uma análise e soluções mais complexas.
O Professor Muhammad Yunus, famoso por sua atuação com o microcrédito junto ao Banco Grameen, propõe um novo modo de encarar a pobreza. Ele definiu, junto à sua equipe do Grameen,  dez pontos básicos que diferenciam uma vivência digna de outra repleta de carências potencialmente prejudiciais. Assim, àqueles que não se enquadram nestes princípios básicos são considerados ainda “pobres” pelo Banco:
1. Vivam em uma casa com telhado de zinco e durmam em catres ou estrados, em vez de dormirem no chão. Ou casas que valham pelo menos 25 mil tacas (370 doláres).

2. Bebam água pura encanada, água fervida ou água sem arsênico, filtrada ou purificada de alguma forma.

3. Todos os filhos física e mentalmente saudáveis, acima dos 6 anos, frequentem ou já tenham terminado o ensino básico.

4. A prestação mínima semanal semanal do empréstimo com o Grameen seja de 200 tacas (3 doláres).

5. Todos na casa usem latrinas higiênicas

6. Todos tenham roupas suficientes para satisfazer suas necessidades diárias (roupas de inverno, mantas e mosquiteiras)

7. A família possua fontes adicionais de renda, às quais possam recorrer em caso de necessidade.

8. O membro Grameen mantém um saldo anual médio de 5 mil tacas na poupança (próximo à 75 doláres).

9. Consiga oferecer à sua família 3 refeições substanciais por dia, o ano todo.

10. Todos cuidem da saúde, tomem medidas imediatas e possam arcar com despesas médicas, em caso de doença.*

A importância destes 10 parâmetros é de reafirmar a necessidade de que a pobreza seja definida claramente, de modo que um programa ou projeto antipobreza tenha público-alvo, metas, objetivos e resultados capazes de se tornarem realidade. Muitas vezes ainda será necessário redefinir a pobreza de acordo com o ambiente, o estado ou o país, para qualificar ainda mais a atuação de projetos e empreendedores que buscam a solução para estes problemas sociais.
Não há mais como equilibrar políticas públicas e iniciativas sociais em dados despersonalizantes e tão distantes da realidade factual pela qual os mais pobres do mundo estão passando. Afinal, o que significaria – de fato – viver com menos de U$1 ao dia? E qual solução iria conseguir alterar esta realidade sem parecer simplista ou desrespeitosa com a grande diversidade de seres humanos abaixo dessa linha?
*Trecho extraido do 5º capítulo do livro Um Mundo sem Pobreza, de Muhammad Yunus.
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