Em construção… até quando?

Sempre que entro em uma moradia dentro de uma favela ou comunidade sou consumido por uma duplicidade de sentimentos. Na maioria das vezes, a família conta detalhes da fragilidade de sua casa, como o temor constante das chuvas e ventos que trazem instabilidade às paredes frágeis de madeirite. Ao mesmo tempo em que ouço atentamente o cuidado diário que um barraco como estes exige para manter-se de pé, compreendo que a fala traz escondido um caráter provisório da situação.

“Vivíamos de aluguel mas perdi o emprego e estava difícil de pagar, então viemos para cá”, conta Cremilda, moradora da comunidade de Santa Emília, em Osasco, que afirma já estar ali há mais de 10 anos. Ela mora com seus 5 filhos em um barraco de madeirite sob o córrego que atravessa toda a favela. Sua casa alaga com qualquer chuva e sofre todos os dias com invasões de ratos e outros animais.

Essas famílias se veem obrigadas a reerguer todos os dias não só sua habitação mas também seu espírito de luta. Com renda familiar total de R$510,00 mensais (renda por pessoa estimada em R$85 mensais), esta família, a principio, classifica-se acima da linha da pobreza – de U$1 dolar por dia. Será que a definição de linhas de pobreza e indigência não carece uma reavaliação?

Fico pensando como um chefe de lar de uma família nessas condições pode se dar ao luxo de planejar um futuro distante dessa realidade, se nem mesmo a situação precária atual é vista como estável. Como parar de reconstruir todos os dias para estabelecer-se dignamente em definitivo?

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